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Uncategorized12 Aug 2011 12:14 pm

Eis que em meio a um dilúvio e pedras de granizo me animo a escrever. Entendam que não se trata de descaso e nem falta de responsabilidade, apenas uma fase de desentendimento com o uso da tecnolgia.

Mas como dizia, hoje Buenos Aires não amanheceu. Ou melhor, tenta, vai e vem, parece que fica e volta. As nuvens insistem em cobrir o sol brilhante e frio do inverno. Não dá para reclamar das temperaturas invernais desse ano, mas acordar numa sexta-feira e pensar em enfrentar a água, a neblina, os trovões lá fora, hmmm, a grande vantagem de ser dono do seu próprio nariz na hora do trabalho é essa. Posso dizer: hoje não chego, desculpem. E os alunos desculpam! São adoráveis, apesar de que sei que nesse momento eles se lembrarão de mim com uma pontinha de inveja…

Mas divagações climáticas a parte, tudo anda bem como pode andar aqui no sul. Agosto chega e me faz lembrar do ditado/rima popular: agosto é mês de desgosto.

Ouvi dizer que é culpa dos portugueses, que trouxeram essa idea na mala. As portuguesas não se casavam em agosto pois era o mês em que os homens saíam em suas expedições, desbravando mundos e conquistando novas paragens. É que elas se casassem nessa época ficariam sem lua-de-mel e, possivelmente, sem marido. Não dá para negar que ficar sem lua-de-mel deve ser a maior chatice. Sem marido por uns tempos, já é questionável. Especialmente quando eles tinham o cuidado de voltar cheios de sedas, especiarias, tintas e outros mimos. Assim a gente até entende.

 

Mas meu entendimento do mês de desgosto vai muito mais além da superstição plantada pelos luzitanos nas paragens verdejantes do Brasil. Infelizmente não posso evitar as más recordações que agosto me tráz. E cada dia mais aceito que tentar esquecer é impossível e parece apenas ressaltar a cor e a dor dessa época. Então, já que chove e me permite algumas horas de ócio criativo, também vou me permitir lembrar, adorar algumas passagens da memória, atesourar pessoas que já não estão e deixar que o céu se escureça, que os trovões façam barulho lá fora, enquanto aqui dentro, a passagem do tempo vai levando, assim como a chuva, as lágrimas que não tentarei deter.

 

E que agosto passe logo!

 

Uncategorized12 Jun 2010 03:59 pm

Ufa, um dia a gente acorda e percebe que viveu. Viveu várias experiências, muitas horríveis, mas muitas memoráveis.

Sempre reflito sobre o fato de morar em um país estrangeiro. Ainda que vizinho do Brasil, as diferenças são enormes. Existem coisas que me fascinam e me apaixonam dia a dia, outras que me assustam e outras que são incrivelmente reveladoras.

Mais uma vez, vamos ao cliché: dizem que ao viajar para um país estrangeiro com o intuito de conhecer novas culturas, em realidade, fazemos uma viagem-descoberta de si mesmo. Por isso muitos empreendem viagens místicas, vão visitar a Índia, Jerusalém, enfim, pode até ser um país vizinho. O fato é que a distância tem o poder de aguçar a visão, despertar sentidos adormecidos e revelar traços sutís (ou nem tanto) da nossa personalidade.

Os amigos são fundamentais. Não é por acaso que estão em primeiro lugar. Primeiro acontece o processo de desapego. Quando tomada a decisão de mudar de país automaticamente se inicia um processo de despedida. Para alguns talvez seja melhor passar por ele o mais rápido possível. Eu precisei de tempo. Tentei transformar cada momento com os amigos que deixei em momentos especiais. A despedida foi gradual e o contato, depois da mudança é crucial para o meu bem estar.

Acho que fiz minha transição bem. Até poucos dias atrás estava totalmente certa de que essa questão de ir e vir é parte natural da vida. Que as pessoas vão e vem e que tudo bem. Na verdade, não tenho mais certeza de nada! Quando meu casal de melhores amigos argentinos, N&M, me disseram que vão se mudar para Europa, não pude esconder um pouquinho de tristeza (e olha que são apenas 6 mese) e pude, quem sabe, provar um pouco do que meus amigos, no Brasil, sentiram…não gostei. Obviamente estou feliz pela oportunidade que têm, que vamos ser amigos sempre, não importa a distância, o tempo, nada. Meu casal de amigos favoritos vai ser sempre meu casal de amigos favoritos. Uma amizade de verdade, carinho e confiança que acontecem poucas vezes na vida. Uma amizade que aquece o coração. Vou morrer de saudade de N&M, mas vou estar esperando a volta, ou o reencontro, seja onde for. Então aí está, descobri que uma coisa é praticar o desapego quando se vai, outra bem diferente é deixar ir…Agradeço a meus amigos que ficaram e souberam (e sabem), me deixar ir com o coração leve e a memória dos nossos melhores momentos.

Também sabia, sim, mas é bom ter certeza, já que nessa vida é tudo tão passageiro, que o mellhor dos amores é aquele que está sem ser evidente, que permite alçar voos e saltar, pois alguém vai te apoiar na queda e chorar de tanto rir com você se for o caso. Que podemos negligenciar a dieta, o sono, o descanso, mas não podemos negligenciar as pessoas que amamos. Que é dessa relação tão especial que alimentamos nossas esperanças e fé na vida. Que com pessoas queremos estar próximos, queremos compartilhar, desde as coisas mais simples e ridículas, até nossas maiores dúvidas existenciais.

Queria que meu amigos soubessem, mais uma vez, que se não fosse por eles, bem…eles sabem…

Para meu casal de amigos argentinos favorito, N&M: saibam que meu maior desejo é que sejam felizes e que vou sentir saudades! Mas estarei aqui, cuidando de jardins, flores, outros amigos, escalando montanhas e acalentando a espera dos nossos próximos encontros.

Uncategorized28 Mar 2010 03:02 pm

Seguindo meu caminho de descobertas, pequenas aventuras culturais, riscos calculados no sábado à noite, fui ao teatro. Obviamente já havia ido antes aqui e justamente por isso estou ficando cada vez mais audaz! Não é fácil arriscar-se em certos ambientes culturais em um país estrangeiro. A proximidade com o artista que o teatro proporciona, os “cacos”, que em geral falam da cultura local, trazem informações muito específicas, expressões muito regionais, piadas internas, sotaque, tudo falado a alta velocidade, etc, podem gerar uma grande frustração ao expectador (eu!) . Enfim, ainda temia um pouco desperdiçar o momento e sair com cara de “tacho” enquanto todos saem morrendo de rir da apresentação ou comentando essa ou outra cena. Mas, depois de passar por duas peças teatrais tendo obtido uma compreensão bastante satisfatória, percebi que já podia arriscar mais.

Além disso, quem quer se inserir na cultura de um país precisa fazer um “tour” cultural intensivo. Quem se muda e deseja entender melhor o entorno não pode se dar ao luxo de não fazer um pouco de esforço para conhecer melhor as figuras emblemáticas da terra estrangeira. E não creio que seja aconselhável contar apenas com as impressões coletadas na rua, no trabalho, entre amigos. Conhecer a cultura local te leva a um nível de entendimento que abrange um espectro temporal muito maior. E é muito divertido! Ou seja, com 35 anos e apenas 1 ano de país novo, preciso fazer minha parte. Estou atrasada uns anos…

Então, com a companhia mais do que agradável de minha primeira amiga argentina, Nat, (detalhe: é sempre bom estar com um nativo nessas horas, não dá para entender tudo, sempre ajudam a esclarecer uma gíria, uma expressão idiomática). Fomos ver uma peça tranquila, uma representação de uma história escrita por Fontanarrosa. E aí entra o apronfundamento na cultura local. Em 1996, Ariel Palácios, um jornalista do Estadão que escreve em seu blog sobre a Argentina, conseguiu fazer uma entrevista com dois cartunistas fantásticos, Quino (Mafalda, lembram?) e Fontanarrosa (http://blogs.estadao.com.br/ariel-palacios/dois-deuses-do-olimpo-dos-cartuns-argent/). A entrevista foi publicada no blog em agosto de 2009. Eu, já “residente apaixonada” naquela época, mas ignorante confessa em inumeráveis assuntos locais, percebi que precisava, urgente, melhorar meu conhecimento sobre as figuras emblemáticas da minha cidade adotada.

Problema vai, problema vem, adiamentos, várias noites de vinhos e preguiça depois, finalmente: teatro. “El mundo ha vivido equivocado”. Diversão garantida, leve, agradável. Aprendi mais um “par” de expressões cotidianas do vocabulário argentino. Uma história de dois amigos que, numa noite de bar, imaginam como seria o dia perfeito. Claro, como bons argentinos, um faz o papel do positivo, seu dia perfeito é realmente perfeito. Já o amigo, tem que dar o tom de tragédia e decepção tipicamente argentinos. Um diálogo pontuado de “peros” (“mas”), em que fica exposta a dificuldade que algumas pessoas têm em se lançar, ainda que em sua imaginação, em um mundo perfeito. Mas com destreza narrativa e criatividade colorida, o amigo consegue levar seu medroso companheiro na sua viagem pelo dia perfeito. Simples, tem a ver com um paraíso tropical, praia, frutas exóticas (maracujá e goiaba!) e uma linda mulher, estrangeira e, óbvio, muita luxúria. Não se passa no Brasil, ainda bem! A genialidade fica por conta das expressões idiomáticas, as cenas que a descrição provoca e a simplicidade do que seria O Dia Perfeito!

Gostei. Não foi um mergulho profundo na cultura e muito menos na obra de Fontanarrosa. Somente molhei a pontinha dos dedos do pé, mas pelo menos essa água não é tão fria quanto a da costa Patagônia. Vou repetir e, provavelmente, molhar mais que os dedinhos…

Para ler em espanhol:

El mundo ha vivido equivocado

*de Roberto Fontanarrosa

—¿Sabés cómo sería un día perfecto? —dijo Hugo tocándose, pensativo, la punta de la nariz. Pipo me­neó la cabeza lentamente, sin mirarlo. Estaba abstraí­do observando algo a través de los ventanales.
—Suponete… —enunció Hugo entrecerrando algo los ojos, acomodándose mecánicamente el bigote, corriendo un poco hacia el costado el sexteto de tazas de café que se amontonaba sobre la mesa de nerolite-… que vos vas de viaje y llegás, ponele, a una isla del Caribe. Qué sé yo, Martinica, ponele, Barbados, no sé… Saint Thomas.
—¿Martinica es una isla? —preguntó Pipo, aún sin mirarlo, hurgando con el índice de su mano izquierda en su dentadura.
—Sí. Creo que sí. Martinica. La isla de Martinica.
Pipo aprobó con la cabeza y se estiró un poco más en la silla, las piernas por debajo de la mesa, casi to­cando la pared.
—Llegás a la isla —prosiguió Hugo—… Solo ¿viste? Tenés que estar un día, ponele. Un par de días. Entonces vas, llegás al hotel, un hotel de la gran puta, cinco estrellas, subís a la habitación, dejás las cosas y bajás a la cafetería a tomar algo. Es de mañana, vos llegaste en un avión bien temprano, entonces es media mañana. Bajás a tomar algo.
—Un jugo —aportó Pipo, bostezando, pero al pare­cer algo más interesado.
—Un jugo. Un jugo de tamarindo, de piña…
—De guayaba, de guayaba —corrigió Pipo.
—De guayaba, de esas frutas raras que tienen por ahí. Calor. Hace calor. Vos bajás, pantaloncito blan­co livianón. Camisita. Zapatillitas.
—Deportivo.
—Deportivo.
—Tipo tenis.
—No. No. Ojo, pantaloncito blanco pero largo ¿eh? No short. No.
Largo. Livianón. Bajás… Poca gente. Música sua­ve. Cafetería amplia. Te sentás en una mesa y… se ve el mar ¿No? Se ve el mar. El hotel tiene su playa pri­vada, como corresponde. Poca gente. Poca gente. No mucha gente. No es temporada. Porque tampoco vos vas de turismo. Vos vas por laburo. Una cosa así.
—Claro. —Pipo aprobó con la cabeza y saludó con un dedo levantado al Chango que se iba con una rulienta.
—Entonces ahí —Hugo estiró las sílabas de esas palabras anunciando que se acercaba el meollo de la cuestión—… a un par de mesas de la mesa tuya: una mina, sentadita. Desayunando.
—Sola —por primera vez Pipo mira a Hugo, frun­ciendo el entrecejo.
Hugo arruga la cara, dudando.
—Sola… o con un macho. Mejor con un macho ¿viste? Pero, la mina, te juna. Te marca. No alevosa­mente, pero, registra. La mina, muy buena, alta rubia, ojos verdes, tipo Jacqueline Bisset.
—Me gusta.
—La mina, poca bola. Marca de vez en cuando, pe­ro poca bola.
—Jacqueline Bisset no es rubia.
—¿No es rubia? ¿Qué es? Castaña.
—Sí, castaña, castañona.
—Bueno… Pero ésta es rubia. Remerita azul, pantaloncitos blancos. Cruzada de gambas, fumando. Ha­blando con el tipo, recostada en el respaldo del silloncito. Esos silloncitos de caña.
—¿Silloncitos de caña? ¿En una cafetería? —dudó Pipo.
—Bueno, no —admitió Hugo—. Uno de esos comu­nes. O como éstos —giró un poco el torso y pegó dos tincazos cortos contra el plástico de un respaldo—. Pe­ro con apoyabrazos ¿me entendés? Porque la mina es­tá estirada, así, para atrás, medio alejada de la mesa. Mirando al tipo, cruzada de gambas. O sea, queda de perfil a vos. Pero… ¿qué pasa?
—¿Qué pasa?
—La mina se aburre. Se nota que se aburre. El tipo chamuya algunas boludeces y la mina hace así con la cabeza —Hugo imita gesto de asentimiento— pero se nota que se hincha las pelotas.
—Y claro, loco…
—Entonces, entonces… —Hugo toca levemente el antebrazo de Pipo llamando su atención— Vos empezás a hacerte el bocho. Con la mina. ¿Viste cuando vos empezás a junar a una mina y no podés dejar de mirarla? ¿Y que entrás a pensar: “Mamita, si te aga­rro”? Vos te empezás a hacer el bocho. Claro, te ha­cés el boludo…
—Porque está el macho.
—No. Pero el macho no calienta. Porque está de espaldas. No te ve. No te ve. Vos te hacés el boludo por si la mina mira. Cosa de que no vaya a ser cosa que mire y vos estás sonriendo como un boludo, o que le hagás una inclinación de cabeza…
—O que se te esté cayendo un hilo de baba sobre la mesa.
—Claro, claro —se rió, definitivamente entusiasma­do con su propio relato Hugo, haciendo gestos elo­cuentes de refregarse la boca con el dorso de la mano y limpiar la mesa con una servilleta de papel—. No. No. Vos, atento, atento, pero digno. Tipo Mitchum. Ti­po Robert Mitchum.
—Bogart, loco. Vamos a los clásicos.
—Sí. Una cosa así. Fumando el hombre. Medio en­trecerrados los ojuelos por el humo del faso. Un duro.
—Sí. A esa altura yo ya estaría duro.
—También. También. Pero con dignidad —senten­ció Hugo—. Porque por ahí te tenés que levantar y te­nés que salir encorvado como el jorobado de Notre Dame y ahí se te va a la mierda el encanto. Cagó el atraque. No. Vos, en la tuya. Juguito, un par de sorbos vichando por encima de las pajitas ésas de colo­res…
—Los sorbetes.
—Los sorbetes. Una pitada. Mirando de vez en cuando al mar. Pero vos siempre atento a la rubia que balancea lentamente la piernita y a vos…
—A vos te corre un sudor helado desde la nuca…
—Desde la nuca hasta el mismo nacimiento de los glúteos. Y una palpitación en la garganta… ¿viste? como los sapos. Que se les hincha la garganta.
—Lindo espectáculo para la mina si te mira.
—No pero eso te parece a vos desde adentro —Hugo golpea con uno de sus puños contra su pecho—. No. Vos, un duque. Un duque. Y… ¿viste? ¿Viste cuan­do vos decís: “Viejo, si esta mina me da bola yo me muero. Me caigo al piso redondo” Y que medio agra­decés que la mina esté con un macho porque te saca de encima el compromiso de tener que atracártela. Pe­ro por otro lado vos decís: “¿Cómo carajo no me le voy a tirar, si esta mina es un avión, un avión?” ¿Vis­te?
—Típico.
—Pero vos, claro, perdedor neto, también pensás: “Esta mina, ni en pedo me puede dar bola a mí”. Por­que es una mina de ésas de James Bond, de ésas bien de las películas. Un aparato infernal. Digamos, todo el hotel es de las películas. Con piletas, piscinas, par­ques, palmeras, cocoteros, playa privada…
—Catamaranes.
—Surf, grones, confitería con pianista, negro tam­bién. Una cosa de locos. Entonces vos decís: “Esta mina no me puede dar bola en la puta vida de Dios”. Pero, pero…
—Al frente —indicó Pipo, con la mano.
—¡Al frente, sí señor! —se enardeció Hugo—. Al frente. Y por ahí, por ahí… el tipo se levanta.
—El tipo que está con la mina.
—El tipo que está con la mina se levanta y se pira. Le da un besito en la boca, corto, y se pira. A vos medio se te estruja el corazón porque pensás: “si el tipo éste la besó en la boca, es el macho. No hay duda”.
Pipo meneó la cabeza, dudando.
—Porque uno siempre al principio tiene esa espe­ranza —prosiguió Hugo—, “Puede ser el hermano”, piensa, “un amigo” “o el tío”, que sé yo…
—O una tía muy extraña que se viste de hombre.
—También.
—Una institutriz de esas alemanas. Muy rígidas —documentó un poco más su aporte Pipo.
—Claro. Claro. Pero cuando el tipo le zampa un be­so en la trucha ya ahí medio que se te acaban las po­sibilidades —Hugo se corta. Se queda pensando—. Aunque viste cómo son los yanquis. Se besan por cualquier cosa —aclara—. Ahí viene una mina y te da un chupón y es cosa de todos los días.
—¿Sí?
—Sí. Bueno, bueno. La cuestión que la mina se ha quedado sola en la mesa. El tipo se piró. Se fue. Y la rubia está en la mesa, mirando el mar. Balanceando la piernita. Y ahí te agarra el ataque. Ahí te agarra el ataque. ¡Está servida, loco! Sola y aburrida. Rebuena, para colmo.
—¡Qué te parece!
—Claro, primero vos esperás. Te hacés el sota y esperás. Porque en una de esas vuelve el marido. O el tipo ése que estaba con ella y es un quilombo. Enton­ces vos te quedás en el molde. Y te empieza a laburar el marote de que si te vas y te sentás con ella. ¿Qué carajo le decís?
—Y además la mina habla en inglés.
—No sé. No sé. Eso no sé —vacila Hugo.
—¿La mina no es norteamericana?
—No sé. Porque vos no la escuchás. Vos la viste que está ahí chamuyando con el tipo pero no escuchás en qué habla.
—Y… si habla en inglés te caga.
—Sí, sí —admite Hugo, turbado— pero esperá…
—Bah. Si habla en inglés, o en francés o en ruso, te caga.
—Pará, pará.
—Vos inglés no hablás, que yo sepa.
— ¡Pará, pará! —se enoja Hugo.
—Porque nosotros, acá, porque manejamos el verso, pero si te agarra una mina que no hable castellano…
—Oíme boludo. Pará. ¿Vos sos amigo mío o amigo de la mina? La mina puede ser francesa, por ejemplo, y saber un poco de castellano.
—O española —simplifica Pipo—. La mina es espa­ñola.
—¡No! Española no. Dejame de joder con las espa­ñolas.
—¿Por qué no?
—Las españolas son horribles. Tienen unos pelos así en las piernas.
—Sí, mirá la Cantudo.
—No, no —se empecina Hugo—, dejame de joder con la Cantudo. La mina es una francesa tipo, tipo…
— ¿Por qué no la Cantudo?
—Tipo… ¿Cómo se llama esta mina? —Hugo gol­petea con un dedo sobre el nerolite.
—Romy Schneider.
—No. No. Esta mina que canta…
—A mí dejame con la Cantudo y sabés…
—¡No rompás las bolas con la Cantudo! ¿Cómo se llama esta mina? —Hugo señala con el dedo a Pipo, ya cabrero— Mirá, el día que vos me vengas con tu día perfecto, muy bien, que la mina sea la Cantudo. Pero yo te estoy contando mi día. Además esta mina es rubia.
—Bueno —aprueba Pipo, reacomodándose algo en la silla—. La próxima vez que me cuentes tu día per­fecto, vos quedate con la rubia. Pero que la rubia esté con la Cantudo y salimos los cuatro. Así…
—Está bien, está bien —concede Hugo sin dejar de rebuscar en su memoria— ¡Françoise Hardy! ¡Françoise Hardy! Un tipo así.
—Tampoco es del todo rubia.
—Bueno, pero de ese tipo. De cara medio angulosa. Jetona. Más rubia, eso sí. Y con esa voz así… pro­funda.
—Oíme —cortó Pipo—. Si no la escuchaste hablar. Decías…
—La mina es francesa —se embaló Hugo—. Pero ha­bla castellano porque ha vivido un tiempo en Perú. ¿Viste que los franceses viajan mucho a Perú?
—¿Sí? —se interesa Pipo—. Se acomoda definitiva­mente erguido en la silla, gira y con un gesto pide otro café a Molina, el morocho, que está descansando con­tra la barra, aprovechando la poca gente de las once de la noche.
—Claro. Porque esta mina es una mina del jet-set. Una arqueóloga o algo así, que viaja por todo el mun­do.
—Una cosmetóloga.
—O dirige una línea internacional de cosmética. Una línea suiza de cosmética —sopesa Hugo—. O dise­ña moda. Habla varios idiomas. Y entonces habla cas­tellano con un acento francés, arrastra las erres…
—Como el dueño del hotel donde para Patoruzú —ejemplifica Pipo.
—Eso. Y tiene una voz profunda. Medio áspera. Co­mo Ornella Vanoni.
—Ajá, ajá. Me gusta —aprueba Pipo, dispuesto a co­laborar mientras se echa algo hacia atrás para permi­tir que Molina le deje, sin una palabra, un café, un va­so de agua, tire otros saquitos de azúcar junto al ceni­cero y apriete un nuevo ticket bajo la pata del servi­lletero.
—La cuestión es que la mina se quedó sola en la mesa, fumando —recupera el hilo Hugo— y vos estás ahí, haciendote el bocho, viendo cómo carajo hacés para atracártela. Para colmo todavía no sabés en qué carajo habla esta mina. Entonces, entonces, empezás a junar las pilchas, los zapatos, la remera, los ciga­rrillos que la mina tiene sobre la mesa para ver si di­cen alguna marca, algún dato que te bata más o me­nos de dónde es la mina. La mina llama al mozo. Pa­ga su cuenta. Vos ahí parás la oreja para ver si agarrás en qué habla, pero la mina habla en voz baja, como se habla en esos ambientes internacionales…
—Además la mina con esa voz profunda que tie­ne… —Pipo ha terminado de sacudir rítmicamente la bolsita de azúcar y se dispone a arrancarle uno de los ángulos.
—Claro. Agarra un bolso que tiene sobre otro si­llón y ahí… ahí… Primero… —se autointerrumpe Hugo— cuando se para, ahí te das cuenta realmente de que la mina es un avión aerodinámico. De esas mi­nas elegantes, pero que están un vagón. De ésas flacas pero fibrosas, ésas que juegan al tenis y que vos les tocás las gambas y son una madera. Entonces ahí, en tanto la mina se acomoda el bolso sobre el hombro y agarra los puchos y el encendedor de arriba de la me­sa…
—Los puchos son Gitanes —documenta Pipo.
—Claro. Los puchos son Gitanes y tiene ¿viste? ata­do a una de las manijas del bolso, un pañuelo de seda, fucsia. Bueno, ahí, cuando la mina se levanta. Se da vuelta. Y te mira.
—¡Mierda!
—Te mira ¿viste? —Hugo está envarado sobre la si­lla, tenso. Una mano en el borde del asiento y la otra sobre el borde de la mesa. Los ojos algo entrecerrados miran fijo en dirección a la ventana que da a calle Sar­miento—. Te mira un momentito, pero un momentito largón. Ya no es la mirada de refilón… eh… la mira­da de rigor de cuando uno mira a una persona que en­tra o que se te sienta cerca. No. No. Una mirada ya de interés. Profunda.
—Ahí te acabás.
—No. Vos… un hielo. Le mantenés la mirada. Se­rio. Sin un gesto. Como diciendo “¿Qué te pasa, ca­riño?”. Claro, por dentro se te arma tal quilombo en el mate, se te ponen en cortocircuito todos los cables. “Uy, la puta que lo reparió, no puede ser”, decís. “No puede ser. Dios querido”. Pero le sostenés la mi­rada hasta que la mina da media vuelta y se va para la playa con el bolso al hombro.
—Y… —se sonríe Hugo— ¿Viste cuando las minas se dan cuenta de que las están junando, entonces caminan un poquito remarcando más el balanceo? —Hugo osci­la sus propios hombros y el torso— ¿así? La mina se va para la playa, despacito. Matadora. Claro. Vos estás paralizado en la silla, tenés la boca seca y si te mandás un trago del jugo te parece que tragas papel picado. Cualquier cosa parece. Te zumban los oídos.
—Te sale sangre por la nariz.
—No. No. Porque ya te recuperaste. Ya te recupe­raste —ataja Hugo—. Y ya empezás a sentir ¿viste? Esa sensación, esa sensación, ese olfato, esa cosa… de la cacería. ¿No? Para colmo, para colmo —Hugo vuel­ve a poner su mano sobre el antebrazo de Pipo para concentrar su atención.
—Ahá…
—Para colmo, la mina llega al ventanal, todo vidria­do. Porque la parte de la cafetería que da al mar es puro vidrio —asesora Hugo—. Entonces cuando la mina llega a la parte de la puerta donde ya sale a la parte de playa, que hay una explanada y después está la arena, se para. Se para en la puerta, ¿viste? Como deslum­brada por el sol. Y mira para todos lados. Busca algo adentro del bolso con un gesto como de fastidio…
—Los lentes negros.
—Algo así. Lo que pasa es que la mina está aburri­da. Y en eso, antes de salir ya del todo, gira un poco. Y te vuelve a mirar…
—Ahh… jajajá… —ríe nervioso Pipo.
—¿Viste cuando de golpe una mina te mira y vos no sabés…?
—Sí. Si te mira a vos o a alguien de atrás.
—Claro, claro, eso —se enfervoriza Hugo—. Que vos te das vuelta para ver si atrás no hay otro tipo, qué sé yo. Como para asegurarte.
—Sí, sí —se vuelve a reír Pipo.
—Pero no. La mina te vuelve a mirar a vos. Ya no tan largo, pero…
—Está con vos.
—Está con vos.
—La mina siempre seria —casi pregunta Pipo.
—Ah, sí. Sí. Seria. Juna pero ni una sonrisa. Los ojitos nada más. No. No se regala. Digamos…
—Insinúa.
—Eso. Insinúa… Entonces, vos, llamás al mozo. ¿Viste? —se divierte Hugo. Hace voz afónica— “Mo­zo”… No te sale ni la voz. Tenés la garganta seca. “Mozo”. Firmás tu cuenta y ahí no más te mandás para la habitación. A los pedos.
—A la habitación.
—Claro. Porque vos ya viste que la mina se fue pa­ra la playa. O sea, la tenés ubicada y un poco la seguridad de que la mina se va a quedar ahí. Entonces vas a la habitación y te pones la malla, cazás una toalla. Una revista…
—Ah. Eso sí. Imprescindible. Un libro…
—Sí. Sí, sí. Un libro, una revista, cualquier cosa, para llevar debajo del brazo y salís rajando para la pla­ya cosa de que no vaya a aparecer algún otro y te primeree. Bajás y te mandás a la playa. Como siempre pasa, la primer ojeada que das, no la ves. Ahí te pu­teás, decís “¿Para qué mierda me fui arriba a cam­biar?”. Y te desesperás. Pero por ahí la ves que viene caminando, entre alguna gente que hay, tomando una Coca Cola que ha ido a comprar. La mina te ve pero se hace la sota. Se tira por ahí, en una lona. No, en una de esas reposeras y se pone a tomar sol. Medio se apoliya.
—Ahí te cagó.
—No. Bueno. Al fin te la atracás —sintetiza Hugo.
—Ah no. ¡Qué piola! —se enerva Pipo—. Así cual­quiera. Es como en esas películas donde un tipo dice “me voy a atracar a esa mina” y después ya aparece con la mina, charlando lo más piola, encamado. Y no te dicen cómo el tipo se la atracó. Que es la parte jodida.
—Bueno. Pará. Pará —contemporiza Hugo—. Vos te quedás vigilando. Ves por ejemplo que no hay ningún peligro cercano. Ningún tipo, algún tiburonazo co­mo vos que ande rondando. O hay algún tipo con su mujer que vicha pero se tiene que quedar en el molde pero además vos viste cómo son estas cosas. Los yan­quis, los ingleses por ahí ven una mina que es una bes­tia increíble y no se les mueve un pelo. Ni se dan vuel­ta. No dan bola. No son latinos. Entonces vos ves que no hay peligro cercano y planeás la cosa. Vos tenés una situación privilegiada. Estás solo. Tenés tiempo. Tenés guita…
—No como acá.
—Claro. Además ahí no te juna nadie. No hay que­mo posible. Entonces por ahí te vas un poco al mar, nadás, hacés la plancha. Y cuando volvés ves que la mina está leyendo. En la reposera, pero leyendo. En­tonces vos, desde tu puesto de vigilancia, ni muy cer­ca ni muy lejos, te ponés también a leer. Por ahí te dan ganas, ¿viste? —Hugo busca las palabras—, de lar­gar todo a la mierda, cazar un bote, alquilar un cata­marán y disfrutar un poco en lugar de andar sufriendo por una mina que por ahí… Pero claro, cuando la mirás y por ahí la ves mover una piernita, sacudir un poco el pelo rubio se te queman todos los papeles. Te hacés el bocho como un loco. Se te seca de nuevo la garganta.
—Venís muerto.
—Lógico. En eso la mina se levanta y se va para un barcito que hay en la playa, muy bacán. Ese es el mo­mento, es el momento… Lo que vos me pedías que te explicara.
—Claro —parece que se disculpara Pipo— porque si no, es muy fácil…
—La mina va, se sienta en un taburete, debajo de esos quinchos, ¿viste?, como de paja, cónicos, pero grande, porque ahí está el bar. Y vos vas y te sentás al lado. Ya sin hacerte tanto el boludo, ya, ya en la lu­cha. Y ahí vas a los bifes. Le preguntás, por ejemplo “¿usted es norteamericana?” En un tono monocorde, casi digamos, periodístico. Sin sonrisitas ni nada de eso. Ahí la mina te mira un momento, fijamente y es cuando…
—Te cagás en las patas —dictamina Pipo.
—¡Claro! ¡Claro! Porque ése es el momento cru­cial. Ahí se juega el destino del país. Si la mina se hace la sota y mira para otro lado. O dice “sí” caza el vaso y se alza a la mierda, perdiste. Perdiste comple­tamente. Pero no. La mina te mira, dice: “Sí”. “Sí ¿por qué?”. Y se sonríe.
—¡Papito!
—¡Papito! ¡Vamos Argentina todavía! ¡Se viene abajo el estadio! —Hugo se sacude en la silla— ¿Viste esas minas que son serias, que no se ríen ni de casuali­dad, pero que por ahí se sonríen y es como si tuvie­ran un fluorescente en la boca? ¿Qué vos no sabés de dónde carajo sacan tantos dientes? Una cosa… —Hu­go estira la comisura de los labios con los dientes de arriba tocándose apretadamente con los de la fila inferior.
—Como la Farrah Fawcett.
—Sí. Que es una particularidad de las modelos —asesora Hugo— Están serias, de golpe le dicen “sonreí” y ¡plin! encienden una sonrisa de puta ma­dre que no sabés de dónde la sacan… Bueno, la rubia te mira, te dice “sí ¿por qué?” y…
—Te da el pie.
—Claro. Te da el pie, para colmo. Entonces vos de­cís “permiso”, el barrio es el barrio, y te sentás en el taburete de al lado y entrás al chamuyo… —Hugo lle­va dos o tres veces el dedo índice de su mano derecha a la boca y lo hace girar hacia adelante como quien desenrolla algo. Pipo hace un gesto escéptico.
—Muy facilongo lo veo —dice.
—Lo que pasa es que la mina está con vos. Está con vos. La mina ya tiene decidido que te va a dar bo­la. No va a andar haciendo las boludeces de hacerse la estrecha o esas cosas. Es una mina que está en el gran mundo internacional y sabe lo que quiere. La mina va a los bifes. No se regala pero va a los bifes. Si le gusta un tipo le da pelota de entrada y a otra cosa.
—Eso es cierto. Esas minas son así.
—Entonces vos empezás el chamuyo. Ya tranquilo. Ya gozando la cosa porque sabés que la cosa viene bien, ya estás en ganador y medio que ya te estás ha­ciendo la croqueta pensando que te vas a llevar la ru­bia para la pieza del hotel y esas cosas. Ya entrás a disfrutar, ahí, vos, ganador. Garpás los tragos, tirás unas rupias sobre el mostrador al grone y te vas con la mina para las reposeras. La mina, claro, una bola bárbara. Y vos ves que los tipos te junan como di­ciendo “hijo de puta, se levantó el avión ése”. Pero vos, un duque, fumás, te hacés el sota y la ves caminar a la rubia adelante tuyo, en la arena, ahí, el pantaloncito ajustado y pensás “Dios querido ¡Y esta mina es­tá conmigo!”. Y bueno…
—Bueno —suspira Pipo, aflojando un poco la ten­sión. El peor momento ya ha pasado.
—En fin. Entonces escuchame como es la milonga. ¿No? La milonga del día perfecto. Al menos para mí. Primero, ahí, en la playa, con la rubiona. Un poco de natación, el mar, las olas. Alquilás un catamarán, te vas con la mina de recorrida. Y a eso de las seis, siete de la tarde, te mandás al bar y te das algún trago largo…
—Un ron Barbados.
—Puede ser. Puede ser. Fijate, fijate… —gesticula, calculador, Hugo—. Me gustaría más un gin-tonic. Un gin-tonic.
—Loco, eso pedilo en Mombasa, en algún boliche de ésos. Pero no te pidas un gin-tonic en un lugar así. Con esa mina…
—Grave error. Grave error. ¿Qué tomaban los tipos que aparecen en la novela de Hemingway, de ésas en el Caribe, Islas en el Golfo, por ejemplo?
—Bacardí.
—Bacardí ¡Y gin-tonic! Gin-tonic, mi amigo. Pero la cosa no es esa. No es que vos vayas a pedir tal o cual trago. No. La cosa es que no te des con algún tra­go que te tire a la lona. Tenés que tomar algo que más o menos sepas que te la aguantás. Algo que te achis­pe, que te ponga vivaracho pero que no te haga pelo­ta. Mirá si todavía que ya tenés la mina en casa te le­vantás un pedo que flameás o te descomponés y des­pués andás con diarrea, te cagás ahí en el lobby del hotel…
—Vomitás —se asqueó Pipo.
—Vomitás. Le vomitás las pilchas a la mina. Un asco. No. No. Por eso, por eso, pedís algo sobrio, que vos sabés que te la aguantás y que te ponga ahí, en el umbral de la locura para acometer el acto… el ac­to… el acto carnal. Además vos ves que el asunto viene sobrio. Sin espectacularidad. No te vas a pedir tam­poco uno de esos tragos que vienen adentro de un coco partido por la mitad, que adentro le meten flo­res, guirnaldas, guindas, que lo tomás con pajita. Eso es para las películas de Doris Day que todos bailaban en bolas al lado de la pileta…
—Doris Day. Qué antigüedad.
—No. Vos te pedís entonces un gin-tonic. La mina alguna otra cosa así. Ahí charlás un ratito. La mi­na muy piola. Muy bien. Muy agradable. Simpática.
—Muy bien la mina —certificó Pipo, como asom­brado.
—Sí. Sí. Una mina de unos 26, 27 años. No una pendeja. Casada. Bien en su matrimonio. Bien. Que sabe lo que está haciendo. La mina quiere pasar bien esa noche, y a otra cosa.
—Claro.
—Claro. Ninguna complicación. No es de las que te va a hacer un quilombo al día siguiente ni nada de eso. La mina sabe cómo son estas cosas.
—No. No se te va a venir a la Argentina tampoco.
—¡Nooo! ¡No! No es de ésas que agarran el teléfo­no y te dicen “Arribo a Fisherton mañana”. Y se te arma tal despelote. No nada de eso. Entonces…
—Entonces.
—Entonces, son como las siete, las ocho de la tar­de —el relato de Hugo se hace moroso— Te vas con la rubia a la habitación del hotel.
—¿A la tuya o a la de la mina?
—A cualquiera. Allá no es como acá que por ahí te agarra el conserje y no te deja entrar con la mina en la pieza. Allá no hay problemas. Te vas con la mina a la habitación. No. Mejor le decís a la mina que vaya a su habitación. Vos vas a la tuya y te das una buena ducha.
—Te sacás toda la arena.
—Claro, te sacás la arena. Los moluscos que te ha­yan quedado pegados. Y te vas a la pieza de ella. —Hugo hace un pequeño silencio contenido. Y bueno. Ahí, viejo ¿para qué te cuento? —sigue—. Te echás veinte, veinticinco polvos. Cualquier cosa.
—¿Veinticinco, che? —duda Pipo.
—Bueno… Dejame lugar para la fantasía. Bah… Te echás cinco, seis. De esas cosas que ya los dos úl­timos la mina te tiene que hacer respiración boca a boca porque vos estás al borde del infarto…
—Sí. Que ya lo hacés de vicioso.
—Claro. Pero que te decís: “Hay un país detrás mío.” No es joda.
—Muy lindo, che. Muy lindo —aprueba Pipo, que se ha vuelto a repantigar en la silla y manotea, distraído, el paquete de cigarrillos.
—No. No —le llama la atención Hugo—. No. Aho­ra viene lo interesante. Porque yo te digo una cosa. Te digo una cosa… eh… Pipo. Te digo una cosa Pipo: El mundo ha vivido equivocado. El mundo ha vivido equivocado. Yo no sé por qué carajo en todas las pe­lículas el tipo, para atracarse la mina, primero la invi­ta a cenar. La lleva a morfar, a un lugar muy elegante, de esos con candelabros, con violinistas. Y morfan co­mo leones, pavo, pato, ciervo, le dan groso al cham­pán mientras el tipo se la parla para encamarse con ella. Yo, Pipo, yo, si hago eso… ¡me agarra un apoliyo! Un apoliyo me agarra, que la mina me tiene que llevar después dormido a mi casa y tirarme ahí en el pasillo. O si no me apoliyo me agarra una pesadez, un dolor de balero. Eructo.
—Y eso no colabora.
—No. Eso no colabora —Hugo se pega repetidamen­te con la punta de los dedos agrupados en la frente—. ¿A quién se le ocurre, a quién se le ocurre ir a enca­marse después de haber morfado como un beduino? Es como terminar de comer e ir a darte quince vuel­tas corriendo alrededor del Parque Urquiza. Hay que estar loco.
—Sí. Es cierto.
—Por eso te digo. El mundo ha vivido equivocado. Yo no sé cómo hacían los galanes esos de cine que se iban a encamar después de comer.
—Es la magia del cinematógrafo, Hugo. Hay que ad­mitirlo.
—Pero en este día perfecto que te digo yo —pun­tualiza, orgulloso, Hugo— vos terminás de echarte los quince polvos con la rubia, te levantás hecho un duque. Te pegás una flor de ducha, cosa de quitarte de encima los residuos del pecado y ¿qué te pasa? Te­nés un hambre de la puta madre que te parió. ¡Lo­co! No comés desde el desayuno. Acordate que no co­més desde el desayuno que picaste alguna boludez. Y después no almorzaste porque un tipo que está de ca­cería no puede permitirse andar con sueño y hecho un pelotudo. Entonces, entonces… imaginate bien, eh. Prestá atención. Te empilchás livianito, la mina también. Ya es de noche, te has pasado cerca de tres horas cogiendo y la luna se ve sobre el mar. Está fresquito. No hay ese calor puto que suele haber acá. Ahí refresca de noche. Vos abrís bien las puertas de vidrio que dan al balconcito y desde abajo se escucha la música de una orquesta que es la que anima el bai­longo que se hace abajo, porque hay mesitas en los jardines, entre las palmeras y ahí los yankis cenan y esas cosas. Vos no. Vos como un duque, pedís el morfi en la habitación. ¡Imaginate vos! —Hugo reclama más atención de parte de Pipo— Vos ahí te sentís Gardel. Acabás de encamarte con una mina de novela. Estás en un lugar de puta madre, tenés un hambre de lobo. Sabés que tenés todo el tiempo del mundo para comer tranquilo. La mina es muy piola y agradable y no te hace nada, al contrario, te gratifica que ella se quede con vos después de la sesión de encame. No es de esas minas que después de encamarte tenés unas ganas locas de decirle “nena, ha sido un gusto haberte conocido; ahora vestite y tómatela que tengo un sue­ño que me muero y quiero apoliyar cruzado en la ca­ma grande”. No. La mina es un encanto. Entonces te hacés traer un vino blanco helado, pero bien helado de esos que te duelen acá —Hugo se señala entre las cejas— ¡Bien helado!
—¡Papito!
—Porque también tenés una sed que te morís. Te has pasado todo el día en la playa, bajo el sol. Y ade­más después de un enfrentamiento amoroso de ese tipo si no tenés a tiro un buen vino blanco pronto ca­paz que te chupás hasta el bronceador.
—La crema Nivea.
—Y ahí te sentás con la rubia —Hugo se arrellana en su silla, hace ademán de apartar las cosas de la mesita— y le entrás a dar a los mariscos, los langostinos, la langosta, algún cangrejo, con la salsita, el buen pancito. Pero tranquilo, eh, tranquilo… sin apuro. Mi­rando el mar, escuchando el ruido del mar. Sos Pelé. Sos Pelé.
—Alguna que otra cholga —aventura Pipo.
—Sí, señor. Alguna que otra cholga. Pulpo. Mucho pulpito. Y siempre vino ¿viste? Le das al blanco. Sin apuro. Ahí es cuando entrás a charlar con la mina de cosas más domésticas. De la casa. De la familia. Cuan­do ya no es necesario hacer ningún verso.
—Cuando ya te aflojás.
—Claro. Ese momento es hermoso. Entonces le contás de tu vieja. De tus amigos. Que tenés un perro. Que de chico te meabas en la cama. La mina te cuen­ta de su granja en Kentucky. Que le gustan los hela­dos de jengibre. Pero ya tranquilo. Estás hecho. Estás hecho. Porque si vos morfás antes de encamarte —vuelve a la carga Hugo—, por más que te sirvan el plato más sensacional y lo que más te gusta en la vida a vos no te pasa un sorete por la garganta porque te­nés el bocho puesto en la mina y en saber si te va a dar bola o no te va a dar bola. Comés nervioso, para el culo, te queda el morfi acá. La mina te habla de cualquier cosa y vos estás pensando “Mamita, si te agarro” y no sabés ni de qué mierda está hablando ella ni qué carajo le contestás vos. Es así. ¿Es así o no es así?
—Es así.
—Entonces ahí, después de morfar como un as­queroso, después de bajarte con la rubia dos o tres tu­bos de blanco, vos vas sintiendo que te entra a agarrar un apoliyo ¡pero un apoliyo! Sentís que se te bajan las persianas.
—Ahí es cuando uno ya se entra a reír de cual­quier pavada.
—¡Eso! ¡Claro! —se alboroza Hugo por el aporte de Pipo—, que te reís de cualquier cosa. Bueno, ahí, te vas al sobre. Sabés, además, que podés al día siguiente dormir hasta cualquier hora porque vos te vas, ponele, a la noche del día siguiente. Y te acostás con la rubia, ya sin ningún apetito de ningún tipo, sólo a disfrutar de la catrera. Te vas hundiendo en el sueño. Te vas hundiendo. Está fresquito. Entra por la ventana la bri­sa del mar. Oís el ruido del mar. Un poco la música de abajo…
Hugo se queda en silencio, mordisqueándose una uña. Casi no hay nadie en El Cairo. Pipo también se ha quedado callado. Bosteza. Mira para calle Santa Fe. Hugo busca con la vista a Molina, que está charlando con el adicionista. Levanta un dedo para llamarlo. Molina se acerca despacioso pegando al pasar con una servilleta en las mesas vacías.
—Cobrame —dice Hugo.

Uncategorized07 Mar 2010 06:29 pm

Helen Keller wrote,

“What we have once enjoyed and deeply loved we can never lose,
for all that we loved deeply becomes a part of us.”

Uncategorized06 Mar 2010 07:27 pm

Que me desculpem os desesperados, mas solidão é fundamental para viver.
Sem ela não me ouço, não ouso, não me fortaleço.

Sem ela me diluo, me disperso, me espelho nos outros, me esqueço.

Não penso solto, não mato dragões, não acalanto a criança apavorada em mim, não aquieto meus pavores, meu medo de ser só.

Sem ela sairei por aí, com olhos inquietos, caçando afeto, aceitando migalhas,
confundindo estar cercada por pessoas, com ter amigos.

Sem ela me manterei aturdida, ocupada, agendada só para driblar o tempo e não ter que me fazer companhia.

Sem ela trairei meus desejos, rirei sem achar graça, endossarei idéias tolas só para não ter que me recolher e

ouvir meus lamentos, meus sonhos adiados, meus dentes rangendo.

Sem ela, e não por causa dela, trocarei beijos tristes e acordarei vazia em leitos áridos.

Sem ela sairei de casa todos os dias e me afastarei de mim, me desconhecerei, me perderei.
Solidão é o lugar onde encontro a mim mesma, de onde observo um jardim secreto e por onde acesso o templo em mim.
Medo? Sim. Até entender que o monstro mora lá fora e o herói mora aqui dentro.

Encarar a solidão é coisa do herói em nós, transformá-la em quietude é coisa do sábio que podemos ser..
Num mundo superlotado, onde tudo é efêmero, voraz e veloz a solidão pode ser oásis e não deserto.
Num mundo tão estressado, imediatista, insatisfeito a solidão pode ser resgate e não desacerto.

Num mundo tão leviano, vulgar, que julga pelas aparências e endeusa espertalhões,
turbinados, bossais, a solidão pode ser proteção e não contágio.

Num mundo obcecado por juventude, sucesso, consumo a solidão pode ser liberdade e não fracasso.
Solidão é exercício, visitação.
É pausa, contemplação, observação.

É inspiração, conhecimento.

É pouso e também voo.

É quando a gente inventa um tempo e um lugar para cuidar da alma, da memória, dos sonhos;

quando a gente se retira da multidão e se faz companhia.

Preciso estar em mim para estar com outros.
Ninguém quer ser solitário, solto, desgarrado.

Desde que o homem é homem, ou ainda macaco, buscamos não ficar sozinhos.

Agrupamo-nos, protegemo- nos, evoluímos porque éramos um bando, uma comunidade.

Somos sociáveis, gregários.

Queremos amigos, amores.

Queremos laços, trocas, contato.

Queremos encontros, comunhão, companhia.

Queremos abraços, toques, afeto.
Mas, ainda assim, ouso dizer: é preciso aprender a estar só para se gostar e ser feliz.
O desafio é poder recolher-se para sair expandido.

É fazer luz na alma para conhecer os seus contornos,

clarear o caminho e esquecer o medo da própria sombra.
Ouse a solidão e fique em ótima companhia.

Obrigada amiga Maria Silvia!

Uncategorized27 Feb 2010 12:18 am

Amigos em Buenos Aires – Brothers in arms

We all suffer the same pain…we live, we learn…we go and we come back!

REFÉM DA GEOGRAFIA

(Luiz Felipe Oiticica e Daniel Oiticica)

vou cantar a teoria do refém da geografia

se já vou quero ficar

se me fui quero voltar

vou falar de uma saudadeque é saudade e uma paixao

ver o rio em rubro negro

a gritar é campeao!!!

vou cantar a poesia do refém da maresia

se nao venta que azar

se ela está “quiero bailar”

vou cantar as sete notas pra compor a batucada

dó ré mi faz sol lá sim

chove aqui por que é que vim?

vou cantar ao meio-dia uma vida tao vazia

indeciso vou chorar,

dividido a recordar

vim buscar uma respostaque perdida encontrei

quis amores, ri das cores

onde está eu já nao sei

vou falar de uma saudade que é saudade de lugares,

recoleta e o congresso

plaza once “sin progreso”

e os anos a passar e a vida a gritar

tao difícil tão dificil

tão difícil que é amar

vou falar de uma saudade que é saudade de criança,

leme, urca e ipanema

o meu rio é so lembrança

e os anos a passar e a vida a gritar

tao difícil tão dificil

tão difícil que é amar

tao difícil tão dificiltão difícil que é amar

Obrigada Dani! Beijos “desde acá”!

Porque só quem vai conhece o prazer de voltar…

My thoughts and Uncategorized19 Feb 2010 11:12 pm

Está somente em nossa mente…que certas coisas são inconcebíveis.

Nesse mar plástico e indecifrável se vão formando ondas de pensamentos que ao se chocar com a realidade caem ao solo, destroçados. Pequenos fragmentos de uma grande e abrangente verdade que se veem estalar, explodir, transformar-se me pó, tão pouco. Tão de repente são tão insignificantes.

A cada movimento, como a maré, pensamentos vão e vêm. Transbordam e se esvaem. Inflam e desinflam. São como organismos independentes, parecem se manifestar com vontade própria. Não parecem ter ponto de partida, simplesmente surgem, exercem seu papel reflexivo, defensivo, ofensivo ou o que seja, até que se chocam com a realidade. Mais destroços, estilhaços mentais que se acumulam no solo da alma, forram dores e alegrias, imprimem suas marcas em um corpo cansado de pensar. Organizando-se, seguem armando seu complô, seu golpe fatal que insiste em nunca chegar.

E quando o inconcebível acontece, é maré alta, enchente, dilúvio. É o transbordar dos sentidos e nada mais faz sentido neste infinito de idéias. O inconcebível arrasta os troncos, arranca as folhas, desnuda e fere corpo e a alma. Deixa tudo em carne viva, prova que ainda há vida e ainda há carne. Demonstra sem possibilidade de contestação a condição infinitamente frágil e desprotegida do ser.

Quando o inconcebível acontece, a verdade que era tão certa, desaparece. Quando o inconcebível acontece, morre-se e mata-se. Quando o inconcebível acontece, incita ao afogamento, ao desalento, ao desencanto. Quando o inconcebível realmente acontece, nem se discute esperança, é inútil. Quando o inconcebível de fato acontece, não sei o caminho, não sei se há saída, não sei se há solução, retorno, esquecimento.

Quando o inconcebível realmente aconteceu, fingi que a vida não tinha mudado. Que as verdades ainda eram as mesmas. Mas os estilhaços me machucam os pés e o sangue que insiste em brotar das feridas não me deixa dormir. Porque o inconcebível é sempre maior que as verdades que guardei.

Uncategorized28 Jun 2009 12:26 am

The moon in the bureau mirror
looks out a million miles
(and perhaps with pride, at herself,
but she never, never smiles)
far and away beyond sleep, or
perhaps she’s a daytime sleeper.

By the Universe deserted,
she’d tell it to go to hell,
and she’d find a body of water,
or a mirror, on which to dwell.
So wrap up care in a cobweb
and drop it down the well

into that world inverted
where left is always right,
where the shadows are really the body,
where we stay awake all night,
where the heavens are shallow as the sea
is now deep, and you love me.

Elizabeth Bishop

Uncategorized14 Jun 2009 01:09 am

No matter where you go, or how you do it, your destination is always only one – your own self.

No matter how many excuses you may find appropriate to justify your behavior, there is always only one – your need to run away.

No matter what people say, what you obediently agree with and encourage others to think, there is only one truth – your pain is your fuel, your most powerful impulse.

No matter how uncertain and tricky the new path may look, there is only one way – follow that.

That is when you realize that you have been building this new path yourself, picking up chattered pieces of soul, little tiny bits of  hope, sudden gushes of mild breeze, refreshingly new. 

Then you realize that friends and family count more than you could have ever believed. Only then, but only after experimenting solitude, rage and peace, cold and heat, passion and total loath you get to know that this is your path.

There will always be moments of (un)controlable desperation, muffled screams of pain caused by badly healed injuries, but also, there will be moments of the most profound demonstration of self love, respect for your rights, acknowledgement for your achievements and a deep feeling of self satisfaction for who you are and what it means to be following this specific path.

It does not matter. It really does not matter…

Uncategorized09 Mar 2009 07:20 pm

Voltei, talvez nao de forma constante ou estruturada. A acentuaçao gramatical está prejudicada até que se encontre uma soluçao (que imagino ser fácil de encontrar, mas me falta ânimo no momento).

O importante é que aos poucos uma rotina se forma, uma nova vida vai tomando contornos e novos hábitos sao incorporados, assim como antigas atividades retornam em versao atualizada e mais rica…

Devagar, devagar, exercício de paciência para quem sempre viveu correndo…

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