Uncategorized06 Mar 2010 07:27 pm

Que me desculpem os desesperados, mas solidão é fundamental para viver.
Sem ela não me ouço, não ouso, não me fortaleço.

Sem ela me diluo, me disperso, me espelho nos outros, me esqueço.

Não penso solto, não mato dragões, não acalanto a criança apavorada em mim, não aquieto meus pavores, meu medo de ser só.

Sem ela sairei por aí, com olhos inquietos, caçando afeto, aceitando migalhas,
confundindo estar cercada por pessoas, com ter amigos.

Sem ela me manterei aturdida, ocupada, agendada só para driblar o tempo e não ter que me fazer companhia.

Sem ela trairei meus desejos, rirei sem achar graça, endossarei idéias tolas só para não ter que me recolher e

ouvir meus lamentos, meus sonhos adiados, meus dentes rangendo.

Sem ela, e não por causa dela, trocarei beijos tristes e acordarei vazia em leitos áridos.

Sem ela sairei de casa todos os dias e me afastarei de mim, me desconhecerei, me perderei.
Solidão é o lugar onde encontro a mim mesma, de onde observo um jardim secreto e por onde acesso o templo em mim.
Medo? Sim. Até entender que o monstro mora lá fora e o herói mora aqui dentro.

Encarar a solidão é coisa do herói em nós, transformá-la em quietude é coisa do sábio que podemos ser..
Num mundo superlotado, onde tudo é efêmero, voraz e veloz a solidão pode ser oásis e não deserto.
Num mundo tão estressado, imediatista, insatisfeito a solidão pode ser resgate e não desacerto.

Num mundo tão leviano, vulgar, que julga pelas aparências e endeusa espertalhões,
turbinados, bossais, a solidão pode ser proteção e não contágio.

Num mundo obcecado por juventude, sucesso, consumo a solidão pode ser liberdade e não fracasso.
Solidão é exercício, visitação.
É pausa, contemplação, observação.

É inspiração, conhecimento.

É pouso e também voo.

É quando a gente inventa um tempo e um lugar para cuidar da alma, da memória, dos sonhos;

quando a gente se retira da multidão e se faz companhia.

Preciso estar em mim para estar com outros.
Ninguém quer ser solitário, solto, desgarrado.

Desde que o homem é homem, ou ainda macaco, buscamos não ficar sozinhos.

Agrupamo-nos, protegemo- nos, evoluímos porque éramos um bando, uma comunidade.

Somos sociáveis, gregários.

Queremos amigos, amores.

Queremos laços, trocas, contato.

Queremos encontros, comunhão, companhia.

Queremos abraços, toques, afeto.
Mas, ainda assim, ouso dizer: é preciso aprender a estar só para se gostar e ser feliz.
O desafio é poder recolher-se para sair expandido.

É fazer luz na alma para conhecer os seus contornos,

clarear o caminho e esquecer o medo da própria sombra.
Ouse a solidão e fique em ótima companhia.

Obrigada amiga Maria Silvia!

Uncategorized27 Feb 2010 12:18 am

Amigos em Buenos Aires – Brothers in arms

We all suffer the same pain…we live, we learn…we go and we come back!

REFÉM DA GEOGRAFIA

(Luiz Felipe Oiticica e Daniel Oiticica)

vou cantar a teoria do refém da geografia

se já vou quero ficar

se me fui quero voltar

vou falar de uma saudadeque é saudade e uma paixao

ver o rio em rubro negro

a gritar é campeao!!!

vou cantar a poesia do refém da maresia

se nao venta que azar

se ela está “quiero bailar”

vou cantar as sete notas pra compor a batucada

dó ré mi faz sol lá sim

chove aqui por que é que vim?

vou cantar ao meio-dia uma vida tao vazia

indeciso vou chorar,

dividido a recordar

vim buscar uma respostaque perdida encontrei

quis amores, ri das cores

onde está eu já nao sei

vou falar de uma saudade que é saudade de lugares,

recoleta e o congresso

plaza once “sin progreso”

e os anos a passar e a vida a gritar

tao difícil tão dificil

tão difícil que é amar

vou falar de uma saudade que é saudade de criança,

leme, urca e ipanema

o meu rio é so lembrança

e os anos a passar e a vida a gritar

tao difícil tão dificil

tão difícil que é amar

tao difícil tão dificiltão difícil que é amar

Obrigada Dani! Beijos “desde acá”!

Porque só quem vai conhece o prazer de voltar…

Poems21 Feb 2010 11:10 pm

DON’T GO FAR OFF, NOT EVEN FOR A DAY
Don’t go far off, not even for a day, because —
because — I don’t know how to say it: a day is long
and I will be waiting for you, as in an empty station
when the trains are parked off somewhere else, asleep.

Don’t leave me, even for an hour, because
then the little drops of anguish will all run together,
the smoke that roams looking for a home will drift
into me, choking my lost heart.

Oh, may your silhouette never dissolve on the beach;
may your eyelids never flutter into the empty distance.
Don’t leave me for a second, my dearest,

because in that moment you’ll have gone so far
I’ll wander mazily over all the earth, asking,
Will you come back? Will you leave me here, dying?

Pablo Neruda

So simple, so beautiful…

Poems21 Feb 2010 11:03 pm

Todos me piden que dé saltos,
que tonifique y que futbole,
que corra, que nade y que vuele.
Muy bien.

Todos me aconsejan reposo,
todos me destinan doctores,
mirándome de cierta manera.
Qué pasa?

Todos me aconsejan que viaje,
que entre y que salga, que no viaje,
que me muera y que no me muera.
No importa.

Todos ven las dificultades
de mis vísceras sorprendidas
por radioterribles retratos.
No estoy de acuerdo.

Todos pican mi poesía
con invencibles tenedores
buscando, sin duda, una mosca,
Tengo miedo.

Tengo miedo de todo el mundo,
del agua fría, de la muerte.
Soy como todos los mortales,
inaplazable.

Por eso en estos cortos días
no voy a tomarlos en cuenta,
voy a abrirme y voy a encerrarme
con mi más pérfido enemigo,
Pablo Neruda.

My thoughts and Uncategorized19 Feb 2010 11:12 pm

Está somente em nossa mente…que certas coisas são inconcebíveis.

Nesse mar plástico e indecifrável se vão formando ondas de pensamentos que ao se chocar com a realidade caem ao solo, destroçados. Pequenos fragmentos de uma grande e abrangente verdade que se veem estalar, explodir, transformar-se me pó, tão pouco. Tão de repente são tão insignificantes.

A cada movimento, como a maré, pensamentos vão e vêm. Transbordam e se esvaem. Inflam e desinflam. São como organismos independentes, parecem se manifestar com vontade própria. Não parecem ter ponto de partida, simplesmente surgem, exercem seu papel reflexivo, defensivo, ofensivo ou o que seja, até que se chocam com a realidade. Mais destroços, estilhaços mentais que se acumulam no solo da alma, forram dores e alegrias, imprimem suas marcas em um corpo cansado de pensar. Organizando-se, seguem armando seu complô, seu golpe fatal que insiste em nunca chegar.

E quando o inconcebível acontece, é maré alta, enchente, dilúvio. É o transbordar dos sentidos e nada mais faz sentido neste infinito de idéias. O inconcebível arrasta os troncos, arranca as folhas, desnuda e fere corpo e a alma. Deixa tudo em carne viva, prova que ainda há vida e ainda há carne. Demonstra sem possibilidade de contestação a condição infinitamente frágil e desprotegida do ser.

Quando o inconcebível acontece, a verdade que era tão certa, desaparece. Quando o inconcebível acontece, morre-se e mata-se. Quando o inconcebível acontece, incita ao afogamento, ao desalento, ao desencanto. Quando o inconcebível realmente acontece, nem se discute esperança, é inútil. Quando o inconcebível de fato acontece, não sei o caminho, não sei se há saída, não sei se há solução, retorno, esquecimento.

Quando o inconcebível realmente aconteceu, fingi que a vida não tinha mudado. Que as verdades ainda eram as mesmas. Mas os estilhaços me machucam os pés e o sangue que insiste em brotar das feridas não me deixa dormir. Porque o inconcebível é sempre maior que as verdades que guardei.

Uncategorized28 Jun 2009 12:26 am

The moon in the bureau mirror
looks out a million miles
(and perhaps with pride, at herself,
but she never, never smiles)
far and away beyond sleep, or
perhaps she’s a daytime sleeper.

By the Universe deserted,
she’d tell it to go to hell,
and she’d find a body of water,
or a mirror, on which to dwell.
So wrap up care in a cobweb
and drop it down the well

into that world inverted
where left is always right,
where the shadows are really the body,
where we stay awake all night,
where the heavens are shallow as the sea
is now deep, and you love me.

Elizabeth Bishop

Uncategorized14 Jun 2009 01:09 am

No matter where you go, or how you do it, your destination is always only one – your own self.

No matter how many excuses you may find appropriate to justify your behavior, there is always only one – your need to run away.

No matter what people say, what you obediently agree with and encourage others to think, there is only one truth – your pain is your fuel, your most powerful impulse.

No matter how uncertain and tricky the new path may look, there is only one way – follow that.

That is when you realize that you have been building this new path yourself, picking up chattered pieces of soul, little tiny bits of  hope, sudden gushes of mild breeze, refreshingly new. 

Then you realize that friends and family count more than you could have ever believed. Only then, but only after experimenting solitude, rage and peace, cold and heat, passion and total loath you get to know that this is your path.

There will always be moments of (un)controlable desperation, muffled screams of pain caused by badly healed injuries, but also, there will be moments of the most profound demonstration of self love, respect for your rights, acknowledgement for your achievements and a deep feeling of self satisfaction for who you are and what it means to be following this specific path.

It does not matter. It really does not matter…

Uncategorized09 Mar 2009 07:20 pm

Voltei, talvez nao de forma constante ou estruturada. A acentuaçao gramatical está prejudicada até que se encontre uma soluçao (que imagino ser fácil de encontrar, mas me falta ânimo no momento).

O importante é que aos poucos uma rotina se forma, uma nova vida vai tomando contornos e novos hábitos sao incorporados, assim como antigas atividades retornam em versao atualizada e mais rica…

Devagar, devagar, exercício de paciência para quem sempre viveu correndo…

My thoughts21 Jan 2009 03:18 pm

Descobri que sou um LP. Bom, com a idade que tenho, os conheci bem e sei como funcionam…

 

Os LPs têm lado A e lado B, assim como eu tenho dois lados. Um, responsável, trabalhador, comprometido, preocupado. O outro quer viajar, é aventureiro, impulsivo, criativo, exagerado. Mas os dois se completam para formar um álbum.

 

Um LP tem muitas faixas, algumas tristes, outras mais alegres, algumas inquietantes e surpreendentes. Às vezes repetimos a mesma faixa mais de 10 vezes e ainda assim não nos cansamos de escutá-la. Outras são somente para dançar e se divertir.

 

Uma música marcou uma época, outra jamais é tocada, caso em que é preciso ter o trabalho de se levantar e mudar a agulha de posição. Às vezes uma faixa apenas se torna um grande hit, parada de sucesso por semanas! Às vezes o LP como um todo é um grande sucesso, fica para história, será lembrado por anos e anos. Mas, se o trabalho não for bem feito, o LP será um fracasso de crítica, cairá no esquecimento e só será encontrado em velhos sebos a preço de balaio.

 

O LP exige cuidado, pois seu material é sensível a arranhões. Alguns deles jamais serão apagados e farão com que determinada música fique permanentemente prejudicada, relembrando o momento de descuido, raiva ou descontrole. O LP exige limpeza especial, carinho ao ser tocado; mãos gordurosas deixarão marcas. Mãos inábeis poderão deixá-lo cair.

 

É preciso guardar o LP com cuidado, em sua embalagem correta, preferencialmente a original. Sua capa conta boa parte de sua história. Quem já não comprou um LP apenas pela beleza da arte gráfica, pura estética e então se surpreendeu com o conteúdo?

 

O LP pode se quebrar. E não é fácil remendá-lo. O LP de sucesso fica na lembrança, pode ser relançado em CD; nova roupagem de uma velha criação.

 

Entretanto, um dia o LP vai desaparecer…

 

 

Trips and impressions21 Jan 2009 02:41 pm

Apesar de ter passado muitos anos em BH antes da minha primeira mudança, não dava muita atenção ao Parque Municipal. É preciso se despir de certos preconceitos para aproveitar esse espaço arborizado e público cravado no meio do Centro da cidade.

Há várias entradas, algumas pela principal avenida do centro, a Afonso Pena. Dentro do parque são muitas surpresas, a conservação, as plantas, os gatos, a diversidade humana. E justamente por isso é preciso deixar o preconceito do lado de fora dos portões.

Para alguns é lugar de lazer barato nos fins de semana, para outros, local de caminhadas. Há voluntários que alimentam os gatinhos abandonados e velhinhos se alongando nas pequenas áreas reservadas para tal. Para outros, ainda, é apenas local de passagem, pois o parque conecta a Av. Afonso Pena e a Alameda Ezequiel Dias, onde estão diversos hospitais públicos e privados e está próxima da Faculdade de Medicina da UFMG.

O interessante desse espaço público é sua versatilidade em agregar desocupados, trabalhadores, corredores e mesmo mendigos sem que nos sintamos ameaçados pela presença do outro. (Claro que o policiamento é ostensivo!)

Mas, para quem não se dispõe a encarar a realidade, melhor mesmo é fazer caminhada na Praça da Liberdade, em frente ao Palácio do Governo. Dar voltas e voltas em um mesmo quarteirão recheado por jardins e fontes organizadas para impressionar turistas e políticos do estado é uma opção válida. Talvez seja mesmo a melhor opção para aqueles que vivem a vida assim, dando voltas e voltas, sem nunca experimentar os contrastes que enriquecem a vida.

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